Todas as actividades do CIRC têm por base a exploração de textos literários,
adequados à faixa etária a que o centro se destina.
Têm sido explorados fundamentalmente os textos Era uma vez …o mar, Era uma vez … o vento, Era uma vez… um planeta ( in Gouveia, R. (2006), Era uma vez … Ciência e Poesia no Reino da Fantasia, Campo das Letras, livro que já vai na 2ª Edição, e é recomendado no âmbito do Plano Nacional de Leitura.
As crianças/jovens são solicitados a ouvir e/ou ler os textos. A partir de certos excertos são sugeridas e realizadas diversas actividades experimentais com vista à construção de alguns conceitos científicos .
Seguem-se os textos e exemplos de exploração.
Era uma vez o mar
Era uma vez um menino que brincava à beira mar
com conchinhas e areia.
Tanto brincou e correu que por fim adormeceu
e começou a sonhar com muitas, muitas histórias
que sempre ouvira contar ao seu avô marinheiro.
Sonhou com a maré cheia e que iria navegar.
Pegou na mesa da sala, pô-la de pernas para o ar
assim arranjou um barco
e, sem qualquer sobressalto, navegou para o mar alto.
Disse adeus a uma conchinha que estava ali mesmo ao lado
e à gaivota e à fragata que passaram a voar.
Era quase ao fim do dia e cheirava a maresia.
A neblina , como um véu, quase que ocultava o céu
onde a lua já espreitava, uma lua redondinha
que se espelhava no mar, que parecia de prata.
Entretanto anoiteceu, ficou escuro, não de breu,
mas o céu era estrelado. Eram milhões de estrelinhas.
Viu ao longe outras luzinhas,
eram luzes de uns barquinhos e também de um petroleiro.
Quando, enfim, amanheceu
pescadores lançavam redes para os peixes apanhar,
viu um navio cargueiro e um submarino a espreitar,
Ora afundava e subia, ora espreitava e fugia.
Viu saltar muitos golfinhos por sobre as águas do mar,
viu cardumes a nadar,
viu peixinhos pequeninos, outros grandes de pasmar.
O Sol estava muito quente, era quase meio dia,
foi dar a uma extensa praia que ele não conhecia.
Escaldava a areia ardente, nem uma brisa corria.
Mergulhou na água fria dum mar como nunca vira,
era ao mesmo tempo verde e também azul safira.
E quanto mais mergulhava mais bonito o mar ficava.
Eram peixes de mil cores, eram algas e corais,
tartarugas e anémonas, muitas outras coisas mais.
Viu um barco naufragado e com os mastros quebrados
a parecer um fantasma, de tal modo enferrujado.
Nele se prendiam algas
que mais faziam lembrar uns cabelos desgrenhados.
Pareceu-lhe ouvir um choro, talvez um triste lamento,
pensou que vinha do barco e tentou ficar atento.
Foi então que percebeu que o lamento era do mar,
que com uma voz sumida, parecia murmurar :
Aos poucos estão-me a matar com tanta poluição -
embarcações a motor, derrames de petroleiros,
causam-me fadiga e dor; sinto uma grande agonia.
Pescadores gananciosos, maldosos aventureiros
destroem bens preciosos e pescam em demasia.
Já há seres em extinção, há outros em mutação,
há corais já desbotados, há mares que estão tão salgados
que a vida já não existe: Por isso estou muito triste-
era o lamento do mar .
O menino entristeceu ao ouvir este lamento.
e tendo como testemunha o vento,
ali logo prometeu nunca poluir o mar.
Nuvens toldavam o céu por entre um sol hesitante
e eis que então apareceu um arco-íris gigante
feito de todas as cores.
Recomeçou a viagem sob uma cálida aragem
e sem um rumo a seguir ao vento se deixou ir.
Foi ter a um mar polar lá no Sul, bem nos confins.
Estava coberto de gelo. Tão bem este o protegia,
que muita vida o mar escondia.
Lá nos rochedos em volta gingavam os pinguins
e o menino a tiritar, todo cheio de tremores, resolveu dali zarpar.
No caminho viu baleias mas não encontrou sereias
de que o avô lhe falava, nas histórias sobre o mar.
A outras terras foi dar. Viu montes brancos ao sol.
Neve não podia ser pois era tanto o calor que a neve ia derreter.
Soube então que eram de sal que o sol retirou do mar
quando evaporou a água que em vapor foi para o ar.
De novo se fez ao mar e foi ter a um mar salgado
que continha tanto sal que não pôde mergulhar;
só conseguia boiar. Era um mar quase sem vida.
Lembrou-se então do lamento
que antes já ouvira ao mar e navegou contra o vento
até que a dado momento a tormenta se formou,
tão medonha era a tormenta que o menino se assustou.
O céu ficou cor de breu, raios cortavam o céu
e uns horrendos trovões ribombavam pelo ar.
Não soube onde foi parar. Valeu-lhe ter uma bússola
para assim se orientar.
Retomou de novo o rumo e com o sol mesmo a prumo
a uma ilha foi dar.
Foi então que sucedeu um estranho acontecimento.
Uns bizarros navegantes, que usavam estranhos turbantes,
contavam histórias esquisitas de mundos desconhecidos.
Eram histórias de piratas, de corsários destemidos,
histórias de especiarias, de ouro, de pedrarias,
de caravelas, de naus, e de monstros muito maus
que ao longo do mar espreitavam, causando muito terror.
Um era o Adamastor que afinal foi derrotado.
O menino, apavorado,
cheio de medo tremia enquanto as histórias ouvia.
Eram histórias de outra era, que lá na escola aprendera,
histórias de tempos distantes.
Mas que grande desatino. Estava confuso o menino
e começou a chorar.
Ao longe ouviu uma voz, que conhecia tão bem….
Parecia a voz da mãe que docemente o chamava.
Afinal onde é que estava? E aquela estranha gente?
Não percebeu de repente que tinha estado a sonhar.
Foi tudo imaginação
Afinal estava na praia, estava deitado no chão, onde o seu irmão João,
tentava os primeiros passos deixando na areia traços,
misturados com pegadas das gaivotas que pousavam
e logo a seguir voavam.
Marcas que a maré cheia mais tarde iria levar,
talvez esconder no mar.
Ainda um pouco estremunhado viu ali, bem a seu lado,
o balde azul, as forminhas, pedras e muitas conchinhas
que antes tivera juntado.
Veio-lhe à mente , então, que antes de adormecer
tinha pensado fazer uma grande construção.
No balde foi buscar água e começou a moldar
um castelo à beira-mar com uma torre e ameias,
tudo feita com as areias, conchas e muitas pedrinhas
que conseguira arranjar.
Vejamos a exploração de um excerto onde se faz referência a um submarino
Actividade
Como funciona um submarino?
O dispositivo que tens á tua frente é um ludião e ilustra a o funcionamento de um submarino
Observa como funciona.
Com o material de que dispões tenta construir um
ludião.